Golpe ou democracia?

Bolsonaro não está morto politicamente, mas não tem as condições políticas para impor ao país seus delírios autoritários


Estamos a menos de cem dias das eleições e as pesquisas eleitorais estão invariavelmente a indicar a tendência de vitória do ex-presidente Lula. Em se confirmando, significa o fracasso do golpe do impeachment e que a retomada do caminho democrático no Brasil está no horizonte do possível.


O país vive uma crise política, social e econômica profunda e a extrema direita está tentando desestabilizar o processo político e inviabilizar a consulta popular. O golpismo é uma doença crônica do país e a sociedade brasileira ainda não está devidamente vacinada…


A disputa eleitoral vem acontecendo entremeada de ameaças de golpe, com a arregimentação antidemocrática para que as regras do jogo não sejam respeitadas.


Ameaças do próprio presidente, questionando as eleições e as urnas eletrônicas, deixando no ar a possibilidade de não aceitar o resultado, caso esse resultado confirme o favoritismo de Lula; generais querendo tutelar o país e chantageando, ameaçando entornar o caldo mais uma vez… Ataques com drones e bombas caseiras contra manifestações e comícios pró-Lula e o brutal assassinato de um militante do PT quando comemorava seus 50 anos, cometido por um bolsonarista fanático.


Essa eleição não será uma simples eleição. Ela será muito importante para o futuro do Brasil porque, carrega em si a possibilidade de mudanças importantes no rumo do país, para o bem ou para o mal, a depender do resultado.


Bolsonaro não está morto politicamente, mas não tem as condições políticas para impor ao país seus delírios autoritários.


Bolsonaro é um instrumento circunstancial das elites brasileiras e conta com a empatia e o apoio fiel de mais ou menos 20% da sociedade.


Bolsonaro é insignificante pessoalmente, um zero à esquerda, o que tem levado muita gente a subestimá-lo. Não é a primeira vez na história que figuras medíocres, despossuídas de maiores qualidades, são levadas pelas circunstancias a cumprir um papel político relevante.


Subestimá-lo, implica em não considerar que ele foi empoderado eleitoralmente e que possui algum apoio popular, além de ser articulado com a extrema direita global.


Bolsonaro tem sido útil para as elites, apesar do desastre e da destruição que ele capitaneia e o sofrimento que vem provocando em boa parte do povo brasileiro.


Bolsonaro e seu governo tem tido o apoio do capital financeiro, do capital agrário e de outros setores das nossas elites e paradoxalmente de parte das camadas médias, que também são vítimas desse projeto insano.


Esse projeto que está destruindo o país conseguiu mobilizar uma base de sustentação na sociedade que vem protagonizando horrores e baixezas, degradando ainda mais a convivência, e o que resta da nossa combalida democracia.


Politicamente, são como o lodo, sedimentos do fundo do rio, que uma vez agitados, turvam as águas…


E, a identidade com o projeto neoliberal/autoritário está presente, com maior ou menor intensidade, em todos os setores e segmentos sociais, inclusive nas camadas mais pobres da população, apesar de estarem entre as maiores vítimas.


Essa base política de Bolsonaro e do seu governo é antidemocrática e tende ao fascismo. Vêem a desigualdade social, a violência, o racismo, a misoginia como naturais. Apoiam a corrosão dos direitos sociais e são avessos aos valores sociais. Destilam ódio, ressentimento e frustração.