Por que a revisão do plano diretor de Torres, no Litoral Norte, está causando polêmica

PREFEITURA SUGERE AMPLIAR ALTURA MÁXIMA PERMITIDA PARA EDIFICAÇÕES NA ORLA DA PRAIA GRANDE, MAS MEDIDA É CRITICADA POR AMBIENTALISTAS

Aidyl Peruchi



Prédios mais distantes da orla já provocam sombra na beira-mar da Praias.

Discutida há anos, sem consenso, a revisão do plano diretor de Torres, no Litoral Norte, está de volta à pauta do dia - e, mais uma vez, com polêmica.

O principal ponto de discórdia é a mudança na altura permitida para edificações na chamada Zona 8, como é definida a orla da Praia Grande no projeto. Atualmente, na região, são autorizadas construções de até 9 metros (três pavimentos), mais 4,5 metros para a caixa d’água. A intenção é ampliar para 15 metros (cinco andares), além do espaço destinado a reservatórios.

TORRES PRETENDE LIBERAR RESTAURANTES E ATIVIDADES COMERCIAIS NA ORLA DA PRAIA EM NOVO PLANO DIRETOR

Mais de uma dezena de entidades ambientalistas criticam a possível alteração. Na lista, encabeçada pelo Coletivo Diga Não às Torres de Concreto, está a Fundação Gaia, liderada por Lara Lutzenberger - filha deJosé Lutzenberger, respeitado ambientalista gaúcho falecido em 2002, que inclusive dá nome ao Parque da Guarita. O grupo teme prejuízos.

— Há quatro anos, quando a prefeitura retomou a discussão, garantiram que não mexeriam na altura dos prédios da orla. Por que mudar agora? Já temos sombra no calçadão às 16h. Dizem que são só alguns metros a mais, mas por que abrir precedentes? — questiona Alexis Sanson, à frente do projeto Praia Limpa Torres.

Na prefeitura, a bióloga e secretária de Meio Ambiente, Fernanda Brocca, e o diretor de Desenvolvimento Urbano, Jean Lima, afirmam que a gestão municipal está aberta ao diálogo, mas defendem a proposta. Segundo eles, a ampliação é limitada, segue estudos prévios, não irá interferir na beira-mar e será um incentivo ao comércio.

— Nosso plano diretor é de 1995. É claro que as características da cidade mudaram e é óbvio que não vamos implodir nenhum morro nem mexer nas belezas naturais. Não é interesse de ninguém prejudicar nosso cartão postal — assegura Fernanda.

Audiência pública na próxima terça-feira (26)


Para se posicionar sobre a proposta, é importante participar do debate - isso vale não só para moradores, mas para veranistas também. Na próxima terça-feira (26), a prefeitura vai promover uma audiência pública sobre o tema. Será no Centro de Eventos da Ulbra (Rua Universitária, nº 1900), a partir das 19h. O fato de ser em um dia de semana não ajuda, mas vale o esforço. Afinal, estamos falando da mais bela praia do Rio Grande do Sul.

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