Oito das 65 cidades da região nordeste do RS passam a marca dos 70% de imunizados contra covid-19

Municípios mais populosos como Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Vacaria ainda não passaram dos 50%



Das 65 cidades da região nordeste do Rio Grande do Sul, apenas oito já passaram a marca dos 70% da população com esquema vacinal completo contra covid-19. Os dados são do vacinômetro da Secretaria Estadual de Saúde. A última atualização foi às 11h46min desta sexta-feira (15). A meta de vacinar 70% dos habitantes de uma região com duas doses era considerada, até pouco tempo atrás, como necessária para atingir a imunidade coletiva.


Pelo levantamento, Guabiju figura no topo da lista na região. Dos 1.478 habitantes, 1.192 foram imunizados, o que equivale a 79,3% da população. Em seguida está Vila Flores, que recebeu R$ 50 mil na primeira edição do Te Vacina, prêmio do governo do Estado para reconhecer os municípios que mais imunizaram no RS. Dos 3.407 moradores, 2.614 completaram o esquema vacinal, o que significa que 77,2% estão imunizados.

O município de Boa Vista do Sul vacinou 74,6% da população, o que garante a imunização de 2.075 pessoas. Montauri também tem o mesmo índice, sendo que na cidade foram imunizados 1.084 pessoas. Já em São Valentim do Sul, as duas doses foram aplicadas em 1.640 pessoas, o que equivale a 73,1% da população em geral. Santa Tereza está logo abaixo com 72,4% dos moradores imunizados, sendo que 1.251 completaram o esquema. Em Vista Alegre do Prata foram vacinados 1.103 pessoas, o que garante a imunização de 70.7%. Já em Pinhal da Serra 70.6% , que são 1. 371 moradores, receberam as duas doses da vacina.

Outras 23 cidades imunizaram mais de 60% da população, 28 já aplicaram as duas doses da vacina em mais de 50% da comunidade em geral e seis cidades estão com índice acima de 40%. Das dez cidades mais populosas da Serra, Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Vacaria ainda não bateram a marca dos 50%. Já Farroupilha, Flores Canela, Gramado, Carlos Barbosa, Garibaldi e Nova Prata já têm mais de 50% da população com esquema vacinal completo (confira abaixo).

Busca ativa é o diferencial

Guabiju por muito tempo figurou na lista das cidades sem morte por covid-19 na Serra e agora ocupa o topo do ranking da vacinaçãoAntonio Valiente / Agencia RBS

A análise de cadastros no sistema de saúde e de orientações das equipes de saúde é um diferencial nas pequenas cidades da Serra. Isso porque os municípios têm conseguido identificar e atrair pessoas para se vacinar.

— Fizeram estratégias positivas de convocação e busca ativa da população e por isso chegaram antes nos 70%. Há cidades que até ultrapassam e estão bem próximas dos 80%, como Guabiju. A Estratégia Saúde da Família (ESF) tem sido um importante braço da vigilância epidemiológica nas imunizações — avalia a titular da 5ª Coordenadoria Regional da Saúde, Claudia Daniel.

Essa percepção é compartilhada pela secretária da Saúde e Assistência Social de Guabiju, Luciane Lunardi Costenaro:

— Como a cidade é pequena e temos 100% do território coberto pela ESF, é mais tranquila a condução da vacinação. Temos uma equipe atuante e busca ativa de faltosos, principalmente, na segunda dose — explica ela.

Em Vila Flores, a situação é semelhante. A secretária de Saúde, Elenice Pertile, lembra que a cidade realiza rastreamento individualizado dos moradores:

— Tivemos reunião nesta semana e até falamos que a gente quase vai em casa buscar os pacientes e leva pela mão para que completem o esquema vacinal. As agentes de saúde continuam avisando a data da segunda dose para todos os pacientes, ligam, vão na casa, e estão bem esforçadas para que todos estejam com as duas doses.

Índice não significa que a pandemia acabou

Especialistas defendem que quando se avalia a cobertura necessária para diminuir a circulação do vírus, é preciso dados referentes à porcentagem do total de vacinados. Além disso, atingir esse índice 70% não significa que a pandemia acabou:


— Ainda estamos na luta, quanto mais pessoas vacinadas, melhor conseguiremos controlar a doença. Mais vacinados significa menos internação hospitalar, menos óbitos, menos gastos para o sistema de saúde público e privado — defende a médica infectologista Lessandra Michelin.

Ela acrescenta que o avanço da vacinação também contribui para reduzir a circulação de cepas virais:

— Temos menor possibilidade de novos mutantes e maior chance de aos poucos controlarmos a pandemia e voltarmos a nossa vida semelhante ao que era antes.

Cenário