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O SALTO ALTO E A MILITÂNCIA PRESENCIAL DO COISO



Quem pensa que a fatura está liquidada nas eleições de 2022 para o Lula que se ligue. Andei pelo Litoral Norte gaúcho este fim de semana e vi coisistas mobilizados.

Nenhum candidato de esquerda me abordou nem para uma conversa cordial nem para entregar um santinho. Fiz o papo aquele na orelha com quem pude fazer, especialmente com trabalhadores do comércio.

Sinto que, quando ouvem a palavra Lula, param para pensar. Muitos ficam encorajados a dizer que vão votar porque viviam melhor. Minha hipótese é que eleitores precisam ouvir mais vezes a palavra Lula da boca de seus eleitores que já confirmaram o voto.

Porque não é nas redes sociais apenas que estão ganhando corpo os caminhantes do Coiso. A cada dia se vê mais bandeiras do Brasil em automóveis. Em Tramandaí, cidade do Litoral Norte gaúcho, organizaram uma carreata no domingo. Era pequena, mas era uma carreata.

Penso que o 7 de Setembro pode ser muito maior do que nós de esquerda pensamos. Temo que seja um divisor de águas.

Um vendedor de frangos assados numa das avenidas mais movimentadas de Tramandaí está fazendo seu trabalho. Não vi qualquer pessoa de esquerda fazendo o que ele fez.

Ele chegou a montar uma tenda na frente de seu comércio com propaganda do Coiso. Tem até foto e banners dos candidatos a governador, deputados e senador.

Definitivamente, não é trabalho só de robô nas redes sociais. É conversa presencial e mobilização. Me deu certo alento que a maioria das pessoas os ignora solenemente.

O que me fez pensar que talvez (e só talvez) haja alguma parcela do eleitorado silenciosa. Tanto pode ser voto de Lula ou do Coiso.

E a chave para decidir se haverá ou não segundo turno e quem irá vencer passa por ela (estes silenciosos que precisam de coragem).

Não é uma 'maioria silenciosa", essa aberração boquejada pelo Nixon nos anos 1960 para justificar recrudescimento de bombardeio no Vietnã.

Em tempos de redes sociais e em termos de eleição plebiscitária como se anuncia ser a de 2 de outubro, o silêncio é menos provável, mas pode decidir se haverá ou não segundo turno ou a vitória de Lula de fato.

Ouvem-se conversas de pessoas que dizem ter sido abordadas por panfleteiros do Coiso e que dizem que nunca votarão nele. Mas não sei se estão dizendo que votarão no Lula.

Faço um alerta, digamos teórico. Em 1977, a jornalista alemã Elisabeth Noelle-Neumann propôs o modelo teórico "espiral do silêncio" para explicar mudanças de rumos em eleições.

Segundo essa teoria, há uma certa parcela de indivíduos que omite sua opinião por medo de se sentir discriminados, isolados ou receber críticas, uma vez que a coesão e a harmonia social, quer dizer o consenso, dão aquela sensação de segurança.

Advirto que esta teoria é de curto alcance. Teoria que tem algum poder explicativo pontual em eventos como eleições, mas não servem para projetar tendências de longo prazo.

Como o equilíbrio estará grande nesta eleição, pode ser que ela tenha algum poder de explicação, especialmente na semana que anteceder o pleito.

De qualquer modo, é uma teoria um tanto esquecida e pouco aplicada, uma vez que as pesquisas de opinião estão mais precisas em razão do maior investimento (nem sempre) em amostras mais representativas.

Não sei de nada. Estou aqui só problematizando. Ainda penso que as redes sociais são complementares e, muitas vezes, complicadoras da verdadeira comunicação, que é a presencial. A oralidade é imbatível, pelo encontro e o contexto. As redes podem mascarar e confundir fazedores de comunicação política.

O que sei é que o fascismo sempre usou os meios eletrônicos e nunca deixou de trabalhar o aperto de mão e a conversa pessoal.

Estou apenas pontuando. A eleição não está ganha pelo Lula. E pode ficar mais difícil se a esquerda andar de salto alto.

Achar que só falta a posse do Lula e que as redes sociais vão sustentar a vitória pode ser um erro gravíssimo.

O que quero dizer é que vai ser difícil derrotar o fascismo. Como sempre foi.


Clóvis Vitória Jr.

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