No Dia do Professor, Cpers clama por reajuste e define Leite como ‘inimigo da educação

Segundo o Cpers, as perdas salariais da categoria estão em 47,8% após sete anos sem aumento

CPERS Sindicato promove manifestação no Dia do Professor em frente ao Palácio Piratini. Foto: Luiza Castro/Sul21


Um grande invólucro preto, semelhante a um caixão, é carregado pela Praça da Matriz, em frente ao Palácio Piratini. Tambores dão o tom da marcha fúnebre. O invólucro representa o “pacote de maldades” do governo de Eduardo Leite (PSDB) contra a educação pública. Após “torear” com a Dona Morte empunhando uma longa foice, o pacote é rasgado e do seu interior voam dezenas de balões coloridos em direção ao céu cinza da manhã chuvosa em Porto Alegre. A representação do luto e os balões da esperança. Assim terminou o ato organizado pelo Cpers nesta sexta-feira (15), data que marca o Dia do Professor. A manifestação diante da sede do governo estadual teve como principal reivindicação o reajuste salarial da categoria, há sete anos sem aumento. “Estamos na luta pela reposição, precisamos urgentemente recuperar nosso salário. As pessoas da nossa categoria estão na miséria, tem gente com a luz cortada, tem gente pedindo cesta básica”, exclamou o professor Cássio Ritter. Membro da direção do Cpers, Ritter disse que o plano Avançar, lançado essa semana pelo governo Leite com a perspectiva de realizar obras de infraestrutura nas escolas, é importante, embora mais significativo seja valorizar o professor. “Para melhorar a educação é preciso investir e valorizar o professor. Obras nos prédios são importantes, mas o professor é fundamental”, afirmou. O anúncio do plano Avançar também foi citado pela deputada estadual Luciana Genro (PSOL). A parlamentar ponderou que recursos existem, afinal, a promessa de Leite é investir R$ 1,2 bilhão até o final de 2022. “Não existe educação de qualidade com professor precarizado e com sete anos sem reajuste no contra-cheque”, enfatizou a deputada do PSOL. A deputada estadual Sofia Cavedon (PT) definiu como “eleitoreiro” e “oportunista” o programa de reformas anunciado por Leite, ao mesmo tempo em que o governador declarou ser contra o reajuste de 31,3% do piso nacional dos professores. Sofia disse que Leite planeja apenas reformar algumas escolas para usar como propaganda na sua pretensão de se candidatar à Presidência da República. “Não há como celebrar o Dia do Professor sem estar na luta pela educação”, destacou a parlamentar. E completou: “Leite é o projeto Bolsonaro no Rio Grande do Sul”. Professor de carreira e atualmente vereador em Porto Alegre, Jonas Reis (PT) afirmou que o projeto em curso no RS é contra a dignidade da categoria. “Ninguém se torna cidadão sem ter passado pelas mãos de um professor ou professora.”

Educar e amar

Ao final do ato, a presidente do Cpers, Helenir Aguiar Schürer, disse ter orgulho dos professores e ressaltou que, mesmo sob chuva, muitos marcaram presença em frente ao Piratini. “Ninguém está olhando por nós. Temos que dar as mãos uns para os outros, foi isso que construiu essa categoria tão forte.” Helenir chamou o plano Avançar de “megalomaníaco” e também acusou o governador de querer apenas fazer campanha política com a inauguração de algumas reformas em 2022. “A melhor campanha que ele poderia fazer é respeitar os professores e dar nosso reajuste”, afirmou. Citando Paulo Freire, patrono da educação brasileira, a presidente do Cpers destacou que educar é um ato de amor, e apesar das dificuldades, os professores seguem empenhados em cumprir sua missão. “Isso a gente faz mesmo tendo escola sem luz. Isso a gente faz mesmo com muros podendo cair. E quando chove, (a escola) vira uma cascata. Mesmo diante de todos os ataques à educação, vamos sair da praça dizendo que acreditamos e lutamos pela educação.” Segundo o Cpers, as perdas salariais da categoria estão em 47,8% devido aos sete anos sem aumento. O último reajuste ocorreu em novembro de 2014.


CPERS Sindicato promove manifestação no Dia do Professor em frente ao Palácio Piratini. Foto: Luiza Castro/Sul21


Mesmo com chuva, professores marcaram presença no centro de Porto Alegre e cobraram reajuste salarial da categoria. Foto: Luiza Castro/Sul21



“A melhor campanha que ele poderia fazer é respeitar os professores e dar nosso reajuste”, afirmou a presidente do Cpers, Helenir Schürer. Foto: Luiza Castro/Sul21