Construções de baixo impacto ambiental viram patrimônio cultural em Maquiné

Projeto organizará a identidade que caracteriza o município de Maquiné(RS) como referência regional em casas bioconstruídas



A cidade de Maquiné, a 130 km de Porto Alegre, no sul do Brasil, chama a atenção pelas montanhas que circundam todos os caminhos, pelos rios, córregos e cachoeiras que estão por onde se passa, pelo verde da floresta e das plantações. Este pequeno (em número de habitantes) grande (em extensão) município localizado entre a serra e o mar na região do litoral norte gaúcho integra a Reserva Biológica da Serra Geral e é um dos últimos redutos da Mata Atlântica do país, a qual cobria praticamente todo o litoral brasileiro e hoje está reduzida a menos de 10% da área original em seções fragmentadas. É nesta paisagem, seja por baixo custo, necessidade de aprender, ou tentativa de novas formas de viver (e de impactar o meio em que se vive) casas “bioconstruídas” são erguidas, gerando uma nova identidade, que torna Maquiné uma referência regional em “bioconstrução”.

Ao olhar atento à estas alternativas sustentáveis ao modo comum de produção e de vida, um grupo de pessoas ligadas à arte e à sustentabilidade deu início a um projeto de resgate das bioconstruções em Maquiné: o Projeto Habitat - de pesquisa, formação e criação, com destaque para o patrimônio cultural – entende que estas habitações, cujas técnicas construtivas oriundas de diversas épocas e tradições compõem um patrimônio cultural material e imaterial e constituem verdadeiras obras de arte, criadas em harmonia e respeito à natureza. A proposta visa facilitar, por meio de um catálogo gratuito, o acesso a uma ampla camada da sociedade (à população rural e à das cidades). No seu desenvolvimento, dará lugar à participação da comunidade local, àqueles e àquelas que cultivam e preservam saberes tradicionais e ancestrais, e assim difundir informações, resgatar memórias e proporcionar vivências.

Em épocas complexas muitas vezes soluções vêm de lugares inusitados. Este livro será um apanhado de algumas delas. É um catálogo simples que além de documentar, busca inspirar e convidar a novas e urgentes formas de se relacionar com o entorno. Mostra como moradores de uma cidade, cada um a seu modo, satisfazendo a necessidade humana de abrigo, constroem, não somente suas casas, mas novas possibilidades de futuro”, descreveu o coordenador do projeto Lúcio Canabarro.

O que são “bioconstruções”

São casas artesanais construídas com foco em causar o menor impacto ambiental possível, tanto na sua implantação, quanto na escolha dos materiais. Elas constituem um contraponto ao modelo industrial de fabricação de moradias. São idealizadas e construídas de forma muito semelhante aos processos de criação artística, resultando em verdadeiras obras de arte.

Programação do Projeto Habitat

Entre os meses de julho e setembro será feito um levantamento de dados sobre as moradias construídas com materiais naturais e de baixo impacto ambiental no município. Esta pesquisa produzirá um livro (o qual será disponibilizado gratuitamente nos formatos impresso e digital) que catalogará o patrimônio em fotografias, acompanhadas por informações técnicas das obras e por entrevistas com as/os moradores e construtores. No mês de novembro será oferecido um curso de bioconstrução básica, ministrado pelo cacique M’byá Guarani e autoconstrutor André Benites. Esta formação promoverá uma aproximação entre os participantes e a cultura de um dos povos indígenas da América do Sul. Por fim, será realizado o lançamento do livro em versões impressa e on-line, em conferência com o coletivo de arquitetos YAPÓ -Arquitetura e Engenharia Consciente, os quais explanarão sobre “o panorama da bioconstrução no Brasil como caminho para uma arquitetura sustentável”.

Quem faz o Projeto

O Projeto Habitat conta a coordenação geral de Lúcio Canabarro, produção executiva do AMÓ, pesquisa de Lúcio Canabarro e Pascal Berten; fotografia de Camila Hein; registros audiovisuais de Mirella Rabaioli; design de Resumagem ; e assessoria técnica de YAPÓ. É realizado com recursos do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, por meio do Pró-Cultura FAC - Fundo de Apoio à Cultura.

Sobre a importância da arquitetura sustentável em Maquiné:

Todas as alternativas que visam a preservação do meio ambiente natural em Maquiné são imprescindíveis para se manter um nível de equilíbrio do clima nas regiões aproximadas até a Grande Porto Alegre, pois o município está situado dentro da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, abrangendo áreas conservadas da Planície Costeira, Serra Geral e Planalto das Araucárias. Encontram-se em seu território, a Terra Indígena Barra do Ouro M'byá Guarani, as aldeias Ka'aguy Porã (Mata Sagrada) e Guyra Nhendu (Som dos Pássaros), a comunidade quilombola Morro Alto, a Reserva Biológica da Serra Geral e parte da APA Rota do Sol. O município situa-se próximo a outras Unidades de Conservação, integrando o principal corredor ecológico da Mata Atlântica stricto sensu do RS, além disso contém nascentes do rio Tramandaí, que abastece parte do litoral norte. (Fonte https://www.onganama.org.br )


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